quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As Esganadas por Jô Soares

     Há mais ou menos duas semanas, eu acabei de ler o romance de Jô Soares, As Esganadas, que relata, com a ironia de Jô Soares, a história de um serial killer, que tem como alvo principal as gordas.
     A história se passa na época do governo de Getúlio Vargas, e resumindo de forma bem rápida, a trama relata os assassinatos de mulheres “jovens, bonitas e ... gordas”, que são atraídas por um homem que oferece a elas apetitosas sobremesas portuguesas e depois assassina cruelmente estas mulheres.
     Tudo acontece, devido a um desentendimento com a mãe, gorda, que quando viva, deixou certo trauma no assassino, enquanto este ainda era menino. Fazendo sua mãe a primeira vítima, o menino, agora adulto, passa a matar todas as mulheres que o façam lembrar a mãe, acusando-as sempre de cometerem o terrível pecado da gula.
     Sem usar eufemismos como, gordinha, fofinha ou quaisquer outros deste gênero, Jô, descreve os assassinatos das “gordas”, com muita precisão, fazendo com que o leitor, pelos menos fez com que eu, imaginasse os brutais assassinatos, “servidos” com os mais diversos doces e salgados portugueses. Tudo sempre com um toque do humor e inteligência, ambos inigualáveis, deste apresentador e autor.
     A motivação que leva o assassino a matar as gordas, e quem é ele, fazem toda a diferença, uma vez que ambos são relatados logo no início do livro. Diferente de diversos outros livros sobre mistérios, onde o objetivo é encontrar o assassino, neste já se sabe quem é, e pode ser vista até certa ironia quando o narrador descreve as suposições que os detetives que investigam o caso, fazem a respeito da identidade do serial killer.
     Enfim, o livro é muito bom, em algumas partes eu até me peguei rindo sozinho. Afinal, é Jô Soares, e é só pensar nele, que logo eu penso em inteligência, ironia e humor, tudo “junto e misturado” em um só.


    

domingo, 25 de dezembro de 2011

∞ Infinito só o Universo ∞

     É impressionante como as lembranças, sejam elas de tempos ruins ou bons, conseguem surtir efeitos inesperados de excitação e felicidade.
Nessa época de natal, com todos reunidos, lembranças de uma época de infância onde tudo era mais simples, onde brinquedos como um carrinho ou blocos de madeiras com desenhos de prédios, tornavam tudo mais “emocionante” e a possibilidade de construir, destruir e reconstruir prédios e pistas automotivas com objetos simples não era uma possibilidade, mas uma realidade.
     Cresci e vivi toda a minha infância sem Ipod’s, Iphone’s, celulares de marca, ou qualquer uma destas coisas, consideradas hoje como os melhores presentes. Não tive uma infância “judiada” ou “menos feliz” pela falta de tais aparelhos, na verdade acredito eu que na época não fazia nem a idéia do que era um Ipod ou tantos “ais” que existem hoje em dia.
     Digo hoje: “graças a Deus!”, não tive nada disso, pois mesmo sem os julgados “melhores presentes”, para mim o meu carrinho, os blocos de madeiras que eu roubava da marcenaria no fim da minha rua e as partidas de futebol com meus verdadeiros amigos, onde corríamos feitos loucos atrás da bola, foram os melhores presentes que eu já recebi em toda a minha vida.
     No fim de todos os dias, que eu chegava cansado, com o pé sujo, chinelo arrebentado, e até ouvia xingos da minha mãe por chegar tarde em casa, eram os melhores fins de dias que tinha, onde eu estava realmente feliz, sem me preocupar com problemas, ou qualquer tipos de brigas que hoje em dia acabam amizades.
     E agora, eu aqui na casa da minha vó por parte de pai, no almoço de domingo de Natal, é que muitas lembranças, de quando eu e meu primo espionávamos a minha tia com o namorado dela, quando eles ficavam vendo filmes na sala, tomava chá mate e achava que era a melhor bebida do mundo, brindava em qualquer copo de suco fresh que minha vó fazia, e todas essas coisas que muitas vezes não acontecem hoje em dia, fizeram minha infância, eu diria até mesmo perfeita.
     Porém infelizmente, as coisas mudam, os mesmos amigos que eu jogava bola eu nem vejo eles mais, os meus dois primos que eram meus melhores amigos, na maior parte das vezes que eu os vejo são em ocasiões como o Natal, nunca mais bebi chá mate e muito menos suco fresh.
     Pois é, o que mais me faz falta são os amigos que eu me afastei, me disseram...me disseram não, uma amiga a qual recentemente eu escolhi me afastar, me disse que amizades se desgastam com o tempo, e que inventamos sempre desculpas, defeitos ou quaisquer outros motivos para nos afastarmos.
     Porém, eu conclui que sempre é necessário essas “despedidas”, para que de certa forma nos acostumemos com, mesmo lamentáveis, “adeus”, e é a vida que tem que nos ensinar isso, já que nós crescemos e somos criados com a idéia do “para sempre”,” forever”, ou “infinito”.
     E é a vida que nos ensina, seja nas despedidas da escola, onde cada um segue seu rumo ou até mesmo na morte de parentes onde precisamos nos despedir de forma permanente de alguém que esteve a vida toda conosco, como é importante sempre ter lembranças os melhores momentos que ambas as ocasiões nos proporcinaram.
     A única coisa infinita, até então, é o universo, e os “adeus” e qualquer tipo de despedida, são necessários justamente para que lembranças sejam construídas, um amadurecimento aconteça, e que essas mesmas lembranças possam nos causar, depois de muito tempo, sensações de paz, até mesmo batidas mais rápidas no coração e uma falta de fôlego, que sentimos que não será preenchida, já que lembranças são únicas, e momentos especiais e raros não se repetem.
     Portanto, nosso único dever é lembrar e lembrar, para que estes momentos sejam eternizados, pois estas sensações, como a falta de fôlego,não é algo aterrorizante, mas sim algo que nos faz lembrar em como é importante aproveitar a vida. Termino este post, com uma frase que descreve bem o que é uma lembrança, apesar de não ser usada no filme com o mesmo objetivo. É do filme “O Todo Poderoso” com o Jim Carrey.

“É isso que a vida tem de melhor.”

Extraordinary Merry Christmas

     Hoje, dia 25, com exceção dos budistas, judeus e outros, todos comemoram o Natal, como uma forma de celebrar o nascimento de Jesus, devendo ser lembrado que a data não é exata. A “data de nascimento” de Jesus, apesar de ser cristão, foi escolhida no mesmo dia em que era comemorado a data do deus persa Mitra, que representava o deus do sol, ou solar, o que torna uma “ironia do destino”, já que Jesus, alguns anos após seu nascimento é aclamado de “luz do mundo”.
     Coincidência ou não, o mais curioso sobre a data estabelecida é que a Igreja não confrontou a idéia de ter a data de nascimento de seu messias escolhida de forma sortida, já que após o cristianismo se tornar religião oficial do Império, a partir do séc.IV, as comemorações do nascimento, passaram a mobilizar tanto pagãos como cristão, o que gerou bastantes lucros para a Igreja.
     Porém, para muitos o que importa não é a história, e sim o fato de comemorar o nascimento de Cristo, pois sendo no dia 25 de dezembro ou não, ele nasceu e trouxe mudanças significativas tanto aos fiéis, quanto aos ateus.
     Entretanto, o motivo do meu post não é exatamente esclarecer ou expor curiosidades desta data tão incerta, porém aclamada em todo o mundo. E sim, contar um pouco do tradicional natal em família, que vai desde a ceia às meia noite até ao amigo oculto.  
     Voltando ao objetivo do post e deixando as conspirações a parte, eu considero estes rituais, se podemos chamá-los assim, como não só uma forma de celebrar o nascimento de Jesus, mas de manter a união familiar, que apesar de tudo, de muitas brigas e discussões durante o ano, abandonam tudo e principalmente o orgulho, para comemorar por uma noite, unida e sem ressentimentos.
     Estranhamente, neste natal, o clima, e pelo que eu olhei e li no twitter e facebook, o “espírito natalino”, apesar de não acreditar que exista tal espírito, não se fazia presente, ou muito intenso em grande parte das pessoas. Assim como eu, muitos acordaram desanimados, com sensação de cansaço, alguns até com mau humor, fora o calor, que diferente do resto da semana não se fez presente, resolveu se destacar exatamente na noite de Natal.
     Mesmo assim a noite foi celebrada, eu ganhei meus presentes, ou melhor, meu presente, no singular, e as festas, a ceia e tudo mais aconteceu, e acredito que não só na minha casa, como nas milhões de casas que também comemoravam o natal.
     Em casa ou não, grande parte das pessoas festejou, e ainda festejará, já que eu estou escrevendo agora de manhã, após uma noite mal dormida, e mais a noite, muitos ainda irão para festas, afinal como diria Christiane Torloni: “Hoje é dia de rock bebê!”, e as festas não acabaram, já que oficialmente é Natal, e o dia só acaba as meia noite.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nem tudo são flores...


     Nem tudo são flores, nem sempre acontece o típico final feliz, nem todo sonho se realiza, nem tudo o que é esperado acontece. Fomos criados sempre com a idéia de que se termos sonhos, estes se realizarão, amigos, serão para sempre, e que o mundo, é um campo florido, com pássaros raros voando, e um belo pôr de sol esperando ser visto e aplaudido todos os dias.

    


     Mas as coisas não são bem assim, e é quando sofremos o famoso “choque de realidade”, nós realmente vemos, que amigos, nem sempre são amigos, e nem tudo no mundo é exatamente “um mar de rosas”, e as pessoas são capazes de fazer de tudo para alcançar o topo, seja lá qual for este topo.
     Quando isto acontece, e a realidade do que é o mundo vem à tona, é necessário abandonar a ilusão de um mundo perfeito, e recomeçar, seguindo as regras, muitas vezes vistas como cruéis, que este mundo impõe.
     A definição do termo “fundo do poço” é muito relativa, mas todas as definições sejam elas dadas por filósofos importantes, ou qualquer ignorante, refletem a mesma lógica, que uma situação em que o individuo está no fundo do poço, é quando ele perdeu ou não tem, o que é para ele considerado como mais importante. O “Mundo de Sofia” de Jostein Gaarder, também fala sobre isso:

     "Qual a coisa mais importante da vida? Se fazemos esta pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, será: a comida. Se fazemos a pergunta a quem está com frio, então será: o calor."

     Refletindo neste trecho, o fundo do poço, ou seja, a falta e/ou perda “da coisa mais importante da vida”, é bem relativo visto que para cada um, existe algo em falta.
     O nome deste blog, “recomeço...”, é um lembrete à necessidade de recomeçar. Há algum tempo, eu vi o filme “O Dia Depois de Amanhã” de Roland Emmerich, e algo falado neste filme, é uma realidade. Na trama, um dos personagens fala, que "Apenas em um momento de grande crise, é que uma sociedade pode evoluir", e trazendo ao nosso contexto, somente em um momento de grande crise, ou no "fundo do poço" é que uma pessoa sente a necessidade de recomeçar, e se reerguer.
     Músicas, filmes, ou até mesmo desejos estranhamente vingativos, são formas de se reerguer e de recomeçar, porém o último, os "desejos estranhamente vingativos", não é o mais recomendado, pois apenas deixando tudo para trás que um recomeço é possível.
     Minha intenção não é fazer um texto de auto-ajuda, se é o que parece, mas apenas explicar as razões que levam uma pessoa, ou pelos menos me levaram, a abandonar tudo e seguir adiante.      
     Eu escolhi colocar o nome de "recomeço...", devido há muitos problemas e brigas que eu tive com muitas pessoas, que me levaram, não as pessoas, mas as brigas, a recomeçar. Sendo também por causa do recomeço, fiz esse blog no fim do ano, pois eu consegui tirar muitas conclusões de 2011, que me levaram a considerar a tomar rumos diferentes em 2012.
     Portanto uma nova direção foi tomada, novas decisões acertadas, e pessoas deixadas para trás, para que as coisas voltassem ao "normal".
                                             
     Pessoas têm sonhos arruinados todos os dias, amigos tomam rumos diferentes todos os anos, mas todos sempre recomeçam e voltam a vida normal, restando só saudades e lembranças de momentos considerados "gloriosos".
     Concluo agora este post, fazendo uma comparação nem objetiva. O mundo é como se fosse um grande estádio de futebol, quando um time está no "fundo do poço", perdendo e sendo vaiado pela torcida adversária, é este time que decide se conformar com a derrota e ouvir as vaias, ou se reerguer e ganhar o jogo. No fim de tudo, as vaias são só gritos, e é quem os ouve que que determina, o que fazer com eles.